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O último tiro ou último filme?

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Se há uma coisa que gosto de fazer quando ligo uma TV é assistir aos filmes exibidos pelos canais por assinatura (streaming), pois, em geral são mais novos que os habituais replicados dezenas de vezes nos canais abertos, com exceção de Independence Day e Jurassic Park, exibidos centenas de vezes. Já vi tantos filmes que me sinto à vontade para sugerir alguns ou recomendar outras atividades em lugar de outros. Isso desperta em mim uma certa inveja dos críticos de cinema que ganham para se divertir, e também, em certos casos, para sofrer.

A programação da TV está indo de mal a pior, até mesmo quando a gente paga por um serviço de streaming acreditando que está fazendo um ótimo negócio. Hoje, depois de algum tempo de zapping sem encontrar nada que me atraísse, decidi “estacionar” no TeleCine, onde havia recém começado o bang-bang O Último Tiro (Last Shoot Out), coincidentemente lançado em 3 de dezembro de 2021 (data do meu aniversário). Em destaque no cartaz, assim como na tela de detalhes da película, a figura de Cam Gigandet, que nem é um dos mocinhos, mas provavelmente é o mais conhecido entre todos os atores(?) que participam do filme. O (teoricamente) galã é Brock Harris.

Num desesperado apelo para atrair espectadores, o(a) responsável por escalar o elenco retirou do passado o ator Bruce Dern – mais conhecido no século passado, hoje com 88 anos – para interpretar um papel secundário, como pai dos meninos maus. Para se ter uma ideia de quem é Bruce Dern, ele contracenava com John Wayne nos filmes de faroeste em preto e branco.

Se eu tivesse que dar minha opinião sobre o filme a uma fonte de avaliação oficial, eu o classificaria como medíocre em todos os quesitos. Os atores parecem amadores de primeira viagem; o diretor, Michael Feifer, como responsável pela atuação, inclusive de sua esposa (Cora Coley), mostrou sua total incapacidade para a posição; a fotografia é horrível, nas cenas finais há um duelo violento entre dois grupos, sendo exibido somente um dos locais de abrigo sem que nenhum tiro o tenha acertado; a encenação dos atingidos chega a ser risível. Não sabem sequer fingir que estão morrendo. E a mocinha que está sendo protegida? Naquela época de grande recato das virgens, ela é mais atirada que as balas dos revólveres e fica se jogando para cima do mocinho valente.

A avaliação do IMDb (Internet Movie Database) é de 3,6 pontos na escala que vai até 10. Minha nota foi 1. Ou seja, só não foi tempo totalmente perdido porque me permitiu desabafar toda a minha frustração nesta postagem.

Se alguém se interessar em saber quem são todos os atores que compõem o elenco, basta visitar o link https://www.imdb.com/pt/title/tt11833670/?ref_=fn_rvi_i_2.

Ficou aquela suspeita de que é costume do péssimo diretor garantir a participação de sua esposa nos filmes que dirige. E para criar uma associação ilustrativa do trabalho de Michael Feifer com o verbo dirigir, eu o comparo àquele aprendiz de motorista que desconhece até as direções – direita e esquerda – para onde deve conduzir um carro. Dá a impressão de que não sabe sequer o que é seta ou pisca-pisca.

Daqui em diante ficarei mais atento à lista de nomes que aparecem antes do filme começar: o do roteirista, o do produtor e, principalmente, o do diretor, evitando, é claro, os filmes dirigidos por Michael Feifer.

Não posso deixar de mencionar o nome de Lee Martin, o roteirista de O Último Tiro, torcendo para que este tenha sido seu último filme!

Acha que estou exagerando? Então, saiba que o filme foi um fracasso nas bilheterias, arrecadando apenas US$ 30,6 milhões contra um orçamento de produção de US$ 100 milhões. Fez jus ao prejuízo…

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