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Estamos enlouquecendo

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Há alguns dias (possivelmente no dia 5 de outubro), várias reproduções de um vídeo chamaram a atenção de quem navegava por certas redes sociais. No Facebook, a postagem atribuída ao perfil Ilhéus Eventos mostrava o vídeo sem os suplementos (memes) de quem o criticava. Segue o texto publicado:

Uma influenciadora, identificada como Lala, emocionou as redes sociais após publicar um vídeo onde aparece chorando e declarando seu ódio a figuras políticas do Brasil e dos EUA. Entre as falas, citou o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu filho, Donald Trump e Elon Musk, chamando seus apoiadores de ‘pessoas burras’.
No desabafo, Lala ainda afirmou que nunca mais vai namorar ou se relacionar, alegando estar cansada ‘desse mundo cruel e das pessoas más’.
O vídeo repercutiu especialmente no TikTok, dividindo opiniões: enquanto alguns apoiaram suas falas, outros a criticaram duramente“.

A julgar pela maior parte dos comentários, o vídeo não provocou uma boa emoção.

Proponho que sejam deixadas de lado as paixões políticas para debatermos esse assunto. Independentemente do lado com o qual você mais se identifica, a postagem merece atenção, não exatamente pelas palavras de Lala, mas por sua condição psicológica.

Comecemos assistindo ao vídeo neste link.

Lala transmite muito mais do que indignação ou inconformismo, ela, visivelmente descontrolada, manifesta seu ódio pelos membros da família Bolsonaro, por Donald Trump, por Elon Musk, por todos os bolsonaristas e pessoas que ela considera “burros” por serem simpáticas ao ex-Presidente ou à direita, ou seja, demonstra concentrar um ódio enorme por quem não vê as coisas como ela.

Ao ver as expressões do rosto dessa moça, não consigo imaginar o que pode pensar e sentir o pai dela, se é que ela tem um. Sem a pretensão de julgá-la pelos piercings em sua boca e nariz ou pela franja que parece ter sido cortada por ela própria, sem nenhum conhecimento ou experiência para tal, seu rosto revela um transtorno grave que se evidencia nas declarações “eu nunca mais vou me relacionar romanticamente com ninguém” e “estou cansada desse mundo cruel” – falas com entonação teatral e destoantes em relação à faixa etária da pobre coitada. Por fim, ao declarar que está “cansada das pessoas serem tão más neste mundo” ela revela total desconexão com a realidade. Afinal, há, como sempre houve, pessoas más e pessoas boas, além de pessoas que não se encaixam bem em nenhuma das duas categorias. Ademais, o que parece bom para uns pode ser ruim para outros.

Agora, ainda sem levar em conta suas preferências políticas, imagine uma adolescente contrária ao socialismo/comunismo manifestando em um vídeo seu extremo ódio por figuras simpáticas à esquerda, citando, em prantos, os nomes de Lula e de seus filhos, Zé Dirceu e seu filho, Delúbio Soares, Gerson Almada, João Santana, Luiz Argôlo, Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Wilson Witzel, Sérgio Cabral, Rodrigo Maia, Randolfe Rodrigues, Rodrigo Pacheco, vários ministros das mais altas Cortes brasileiras e mais uma lista enorme de indiciados e condenados, alegando que odeia a todos e, POR CAUSA DELES, nunca mais se permitirá a um relacionamento romântico; que, se pudesse, explodiria o planeta Terra para poder viver em paz. O que viria à sua cabeça?

Não sou normal

Resumindo a ópera, o ódio declarado por Lala é descabido, assim como o que foi revelado pela ativista sueca Greta Thunberg (Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg) em sua adolescência. Há quem considere esse sentimento absurdo, anormal e inútil, pois não alterará o cenário que está muito longe do alcance de qualquer um de nós. Greta, no entanto, já foi diagnosticada com síndrome de Asperger (chamado de transtorno do espectro autista), TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo, mutismo seletivo e depressão.

Odiar não nos leva a lugar algum, exceto a doenças. Sim, odiar faz mal, prejudica o coração, o estômago, o intestino e sabe-se lá mais o quê. O ódio gera agressividade, e isto nos rouba o controle, o bom-senso, a paz. Os comentários agressivos contra Lala, nas postagens, são inócuos, não alteram sua condição. Ao contrário, podem estimular mais ódio e, num caso extremo, levá-la a cometer uma besteira irreparável, pois ela alega que “está cansada deste mundo cruel“, e sabemos que o mundo não se modificará por causa disso.

Mantenhamos a calma e a empatia, pelo menos para garantir nossa boa saúde.

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