A ideia
Não havia nenhum mistério ou novidade na iniciativa daquele cidadão, ele simplesmente havia visto que outras cidades faziam a triagem correta e a reciclagem do lixo, produzindo adubo com restos de alimentos, transformando embalagens em matérias-primas para algumas indústrias, restaurando móveis e outros objetos, criando peças diferenciadas de artesanato, brinquedos, roupas, adornos, e até sistemas de aquecimento solar para residências. A lista era enorme, e tudo poderia ser comercializado, gerando renda para todos que participassem do programa!
Praticamente tudo poderia ser reaproveitado e, se não soubessem como trabalhar com os materiais, ele próprio – o cidadão que apresentou a proposta – os ensinaria. A madeira, por exemplo, material nobre, era recolhida pela prefeitura, moída e doada às olarias para ser queimada nos fornos! Um verdadeiro desperdício!
A mudança dependia da vontade de todos.
Economia circular
O cidadão interessado (vamos chamá-lo de José) revelou que havia lido que no Brasil, apenas 4% dos resíduos sólidos que poderiam ser reciclados são enviados para esse processo, índice muito abaixo de países de mesma faixa de renda e grau de desenvolvimento econômico, como Chile, Argentina, África do Sul e Turquia, que apresentam média de 16% de reciclagem, segundo dados da International Solid Waste Association (ISWA).
“Nós estamos quatro vezes menos que esses países. Temos que acelerar”, afirmou o presidente da instituição, Carlos Silva Filho, que também é diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
Em relação aos países desenvolvidos, o caminho a percorrer é ainda mais longo. Na Alemanha, por exemplo, o índice de reciclagem alcança 67%. “O Brasil está 20 anos atrasado em relação a esses países”, afirmou Silva Filho. (Fonte)
A revolução industrial – 4.0
A Quarta Revolução Industrial (Revolução 4.0), cuja tecnologia tomou protagonismo nas indústrias, comércios e processos — somada ao choque de realidade causado pela pandemia — fez com que dezenas de países se voltassem a debater novos modelos de negócios, de saúde e qualidade de vida. Um deles é a adoção da economia circular, que prega objetivos como diminuição de resíduo e poluição, por meio de longos ciclos de vida de materiais. Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o Brasil perde cerca de R$ 8 bilhões por ano, ao deixar de reciclar material com possibilidade de reaproveitamento.
Por necessidade de economia, as indústrias estão se conscientizando de que é preciso aprimorar a otimização de processos, aumentar o uso de insumos circulares (novamente inseridos no processo produtivo), a recuperação de recursos e a extensão da vida de produtos. Em razão disso, a medida mais inteligente é a preocupação com o lixo que despejam, para que seja reaproveitado, e se possível reconduzido ao processo de produção, voltando para a produção daquilo que consomem. Não é complicado se acompanharmos o gráfico:





