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quinta-feira, abril 16, 2026
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Brasileiros não sabem votar

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Ainda que eu me dispa das preferências e princípios pessoais, me entupa com suco de boa vontade, fure os meus olhos e tape meus ouvidos, não dá para concluir que existe coerência nas escolhas dos eleitores brasileiros. Nem com todo esforço do mundo consigo aceitar com naturalidade os resultados das eleições brasileiras, em todas as suas instâncias. Na minha opinião, ou as pessoas votam visando exclusivamente seus próprios interesses e vantagens, ou são totalmente desprovidas de inteligência. E é por isso que defendo, fervorosa e urgentemente, a mudança da Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997.

Por exemplo: em seu “Art. 10. Cada partido poderá registrar candidatos para a Câmara dos Deputados, a Câmara Legislativa, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais no total de até 100% (cem por cento) do número de lugares a preencher mais 1 (um).” Isto é, numa cidade com 15 vereadores, cada partido poderá registrar até 16 candidatos.

Eleitor brasileiro

Se o município contar com representação de todos os 29 partidos brasileiros ativos, será possível alcançar um total de 464 candidatos a vereador sem que lhes seja exigido nada além se serem maiores de 18 anos, ter nacionalidade brasileira ou ser naturalizado; estar em pleno exercício dos direitos políticos; estar alistado na Justiça Eleitoral; ter domicílio eleitoral na circunscrição há pelo menos um ano antes do pleito e ser filiado a um partido político também há pelo menos um ano antes da eleição. Nenhuma formação mínima é exigida. São aceitos inclusive analfabetos funcionais que, se eleitos, não saberão redigir ou interpretar um projeto de lei, e talvez nem imaginem o que seja isso. A estratégia para se manterem no cargo será o assistencialismo.

Qualquer um que deseje se tornar um corretor de imóveis profissional precisará fazer um curso que dura de 6 a 12 meses para poder tirar o CRECI, e para ser aprovado deverá se submeter a provas e estágio de mais 6 meses. E mais: o curso Técnico em Transações Imobiliárias (TTI) da IBRESP pode custar entre R$ 799,00 e R$ 1.460,00, dependendo se o aluno optar por livros digitais ou físicos. Só depois disso ele poderá começar a ganhar dinheiro para valer, começando por baixo.

O político não, ele não precisa de cursos, não se submete a provas ou a estágios, já entra ganhando muito mais do que merece sem saber o que acontece à sua volta, tem estabilidade por quatro anos e não precisa trabalhar. E se praticar o assistencialismo, poderá ser reeleito por aqueles que lhes devem favores.

É justo que sejam chamados de “excelências” ou “nobres pares” ???

Os famosos e a política

Cada vez mais, os que um dia tiveram seus minutos de fama tentam se lançar na política visando exata e exclusivamente o salário atraente e a estabilidade (além das maracutaias ilegais) porque perderam seus espaços diante dos holofotes e estão na pior. Veja alguns exemplos:

O ex-marido de Ana Hickmann, Alexandre Correa, não ficou só na lista dos famosos que naufragaram nas eleições 2024, seja para prefeitos ou vereadores. Tentando vaga na Câmara de São Paulo, o empresário partiu para o ataque após a derrota e acabou ironizado pela web. Ainda na capital, Dudu Camargo também não se elegeu. Alexandre Frota, depois de ter sido deputado federal, conseguiu se eleger vereador em Cotia, SP. Nossa, que progresso!

Nessa mesma esteira, aproveitando-se de suas passagens pela telinha, vieram em 2024 José Luiz Datena, Thammy Miranda (reeleito vereador por São Paulo), Zoe Martinez (eleita vereadora por São Paulo), Cristina Prochaska, Wellington Camargo (irmão de Zezé de Camargo), Babu Santana (que interpretou Tim Maia no cinema), e outros que já estão ou estiveram no cenário político, como Tiririca (o inútil), os jogadores Bebeto e Romário, o estilista Clodovil, Stepan Nercessian, Wagner Montes, Celso Russomano, Myrian Rios, Jean Wyllys (ex-BBB), Frank Aguiar e Leci Brandão.

Os paraquedistas

De quatro em quatro anos surgem no cenário municipal, vindos do nada, nomes que se destacam em pequenos grupos (igrejas, conselhos, movimentos de defesa animal, esportistas, donos de bares bem frequentados, etc). Eu os chamo de “paraquedistas” porque nunca fizeram nada de útil para a cidade, aparecem às vésperas da eleição sem nenhuma proposta de interesse municipal, apostando em suas redes de relacionamento para tentar se eleger.

Diferenciado

O candidato Gabriel Aguiar foi eleito vereador em Fortaleza, conquistando mais de 30 mil votos. Sua campanha destacou-se por ser totalmente sustentável, sem o uso de materiais impressos, como forma de conscientizar tanto a população quanto os outros candidatos sobre a possibilidade de realizar uma campanha eleitoral com menos impacto ambiental. Em vez de adesivos, santinhos e panfletos, Gabriel e sua equipe optaram por escrever o nome e o número do candidato em folhas caídas de árvores. “Usamos a bandeira e a nossa voz. Queremos mostrar à população e aos políticos que é possível fazer uma campanha sem gerar resíduos ou lixo em excesso“, declarou Gabriel. As folhas utilizadas biodegradáveis, podiam ser descartadas no chão sem causar danos ao meio ambiente, e ainda traziam um toque pessoal. “É custo-zero e totalmente personalizado. Cada folha é feita com muito carinho, desenhada e pintada à mão. Muitas das pessoas que nos ajudaram na campanha também participaram da produção dessas folhas“, explicou Gabriel ao jornal “0 Povo” antes das eleições.

Esta notícia foi reproduzida pela candidata Marilu Godoi, de São José dos Campos, cuja campanha baseou-se na defesa do meio ambiente e dos direitos dos animais. Na mesma cidade, outra protetora que se candidatou foi a Protetora Tia Dany (Daniana Roberta Ferreira Martins).

Tais candidaturas são, para mim, oportunistas, ou no mínimo têm uma visão limitada do que é ocupar um cargo eletivo. Temos em Santa Isabel uma vereadora reeleita defendendo a mesma bandeira, e o que ela fez ou tem condições de fazer pela cidade? Alimentar os animais de rua? Salvá-los do abandono? Que me perdoem os que a apoiam, mas Claudio Gunther faz muito mais que isso sem precisar do dinheiro da cidade. Na Câmara Municipal ele não seria tão útil e tão admirado pelos que o conhecem.

A cidade precisa de quem pense grande, fora da caixinha, que conheça as leis, tenha coragem de fiscalizar o Executivo e interferir quando necessário, capacidade para se relacionar com outras esferas maiores e, de fato, criar e realizar alguma coisa.

Falta de opções úteis

A política se tornou a tábua de salvação de quem não tem uma profissão que pudesse gerar sua independência e lhe render o suficiente para ter uma vida confortável – a maioria –, o sonho de encontrar um oásis com um tesouro à vista, capaz de proporcionar uma vida nababesca sem nenhum esforço. Lançam-se como candidatos como quem aposta na loteria. Se der certo, ótimo; se não der, não perdem muito.

A escolha dos candidatos não tem critérios sérios, é feita, quase sempre, pelos representantes dos partidos políticos que, por sua vez, estão de olho no dinheiro que vem dos fundos partidário e eleitoral, verdadeiras fortunas levantadas às custas do povo e distribuídas sem nenhum mérito.

As pessoas preparadas, honestas e trabalhadoras – com raríssimas exceções –, não querem se meter com a política; não têm estômago para conviver nesse antro onde a lei é a do toma-lá-dá-cá, negociando o valor de seus votos. O objetivo é se [simple_tooltip content=’Tornar(-se) rico, ou mais abastado; enriquecer.’]locupletar[/simple_tooltip], um verbo cujo significado desconhecem, graças à sua ignorância, exceto pela prática.

Isso explica o nojo da população em relação àqueles que ganham o direito de legislar em causa própria, esquecendo-se dos que votaram neles, logo após o encerramento da contagem de votos.

Então, os eleitos “contratam” trocentos assessores e secretários ainda menos preparados (pois não querem ser corrigidos ou criticados pelos que os cercam) porque não são pagos com seu próprio dinheiro. E, assim, todos têm vida fácil e fazem nossas vidas difíceis.

O que fazer para o país ser melhor?

É urgente – sob pena de nos tornarmos escravos – que a população reveja seus conceitos, comece a pensar com suas próprias cabeças e se conscientize de sua responsabilidade, colocando de lado sua acomodação, levando em conta não apenas seu próprio futuro como o de todas as outras pessoas, sem se esquecer do que deixarão para seus descendentes.

Cada um de nós é parte de uma sociedade e torna-se corresponsável por ela a partir de sua primeira oportunidade de votar. Mas, antes de tudo, PRECISAMOS APRENDER A VOTAR.

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