Existem várias cidades que possuem Santa Isabel em seu nome. Além da cidade paulista, tema desta postagem, há também Santa Isabel em Goiás, Santa Isabel do Pará, Santa Isabel do Ivaí, no Paraná, Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, e ainda Santa Isabel do Marinheiro, que é um distrito de Pedranópolis (SP).
Localização e características
A nossa Santa Isabel possui uma área territorial de 363.332 km2, está distante 56 km da Capital e pertence à região do Alto Tietê (Zona Leste de São Paulo) ao lado de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano. As principais rodovias que servem a cidade são a Presidente Dutra (tendo a SPA-056/060 – Rodovia Arthur Matheus, que a liga ao centro da cidade e a SP-56 – Rodovia Vereador Albino Rodrigues Neves, que a liga a Arujá), a Dom Pedro I (com a Rodovia Prefeito Joaquim Simão, que a liga a Igaratá) e a Airton Senna. Os aeroportos mais próximos são o Internacional de Guarulhos (42,9 km) e o de São José dos Campos (46,9 km).
Apesar de sua extensão, Santa Isabel depende, em vários aspectos, de outros municípios com mais estrutura (assinalados com bandeiras no mapa) para atender à população, seja no comércio, seja em serviços. Isso é atribuído em grande parte às limitações impostas pela Lei de Proteção de Mananciais, que afeta mais de 83% de sua área territorial, bem como à sua topografia acidentada.
Em 2023, o total de receitas realizadas foi de R$ 263.343.627,83 (x1000) e o total de despesas empenhadas foi de R$ 259.972.054,7 (x1000), o que deixa o município na posição 146 entre os 645 municípios do estado, e 627 de 5570 entre todos os municípios. Já sua vizinha Guararema, com um território 25% menor e com pouco mais de 58% da população de Santa Isabel, ocupa as posições 106, no estado, e 386 entre todos os municípios do país.
Outro detalhe: Arujá, que fica a 16 km de distância e já foi dependente de Santa Isabel, cujo território equivale a pouco mais de 26% da área de nossa cidade, hoje possui uma população de mais de 96 mil habitantes, e quase R$ 600 mil de receitas brutas realizadas. E mais: o PIB per capita de Arujá (R$ 89.703,63) é 3,16 vezes maior que o de Santa Isabel.
ISSO SIGNIFICA QUE É MAIS INTERESSANTE INVESTIR EM ARUJÁ?
Depende do ponto de vista. A densidade demográfica daquela cidade, com quase o dobro de habitantes, é de seis vezes a de Santa Isabel, ou seja, há uma concentração de pessoas muito maior. Todavia, o Índice de Desenvolvimento Humano do Município é muito próximo do de nossa cidade. A receita bruta realizada é mais que o dobro do que se arrecada por aqui (R$ 575 milhões de reais).
Devido à curta distância e facilidade de acesso, isabelenses vão buscar em Arujá muitas coisas que ainda não são encontradas em Santa Isabel, como serviços especializados (lavanderias, por exemplo) e itens de consumo mais baratos.
Em ambas as cidades os setores econômicos que mais reuniram trabalhadores em 2022 foram Comércio Varejista, Comércio Por Atacado, Administração Pública, Defesa e Seguridade Social. Entretanto, de forma curiosa, Santa Isabel ostenta o título de Município de Interesse Turístico desde 2017 e recebeu, graças a essa pretensão, o slogan “Paraíso da Grande São Paulo”.
Potencial turístico
Segundo o site da Secretaria Estadual de Turismo (2017), Santa Isabel “recebe cerca de 20 mil visitantes por semana, todos atraídos pelo turismo rural, de aventura, cultural, gastronômico e o ecoturismo. Vale ressaltar que Santa Isabel integra o Circuito Turístico das Nascentes” e conta com “20 hípicas, 28 pesqueiros, 8 pousadas e 40 restaurantes“, dados que estão desatualizados e não correspondem à realidade, uma vez que consideram apenas os registros oficiais, de estabelecimentos devidamente regularizados junto à prefeitura local. O site oficial da cidade, em sua seção de Turismo, não exibe as inúmeras propriedades rurais que se oferecem via internet para hospedagem em fins de semana e temporada porque não estão regularizadas para este fim.

Ainda no site da Secretaria Estadual de Turismo (SETUR), a cidade possui “geografia montanhosa, onde se escondem 43 cachoeiras“. Neste ponto, é realmente verdade, principalmente quando diz que as cachoeiras se escondem, pois a maioria está localizada em propriedades particulares e/ou são meras quedas d’água.
Aparentemente, o texto foi redigido por quem ocupava a Secretaria de Turismo do Município à época da publicação e reproduzido sem verificação. A SETUR estava então a cargo de Roberto de Lucena, natural de Santa Isabel, até junho de 2024, quando foi substituído por Rui Alves.
Em setembro de 2023, o site PANROTAS publicou trechos de uma entrevista concedida por Lucena, ocasião em que o secretário fez uma avaliação do que foi feito em seus oito meses à frente da secretaria.
Atrações turísticas


Se levarmos em conta as “definições oficiais”, todas as cidades brasileiras poderiam ser consideradas turísticas, apenas porque possuem igrejas. Em Santa Isabel o turismo religioso é colocado como atração, relacionando três igrejas da região central e o monumento histórico Obelisco 13 de Maio. Também na mesma região há a igreja de São Lázaro, não referenciada, talvez por ter sido demolida por um padre (ex-prefeito) e totalmente descaracterizada em sua reconstrução.
Ao contrário das igrejas europeias e de algumas outras no Brasil, como em Salvador, BA, são igrejas simples. A única com atrativos interessantes é a de Nossa Senhora do Rosário, a primeira da cidade, erguida por escravos em taipa de pilão no ano de 1723.
Nas duas últimas décadas (no mínimo) as pessoas que integram o Conselho Municipal de Turismo – COMTUR são empresários que visam atender seus interesses comerciais e procuram valorizar suas próprias atividades. São membros desse conselho seis representantes da prefeitura, lotados em diversas secretarias, e outros da iniciativa privada, como proprietários de pousada, de agência de turismo, de restaurante, empresa de eventos, uma arquiteta/urbanista e uma representante dos artesãos. Nenhum deles com conhecimento acadêmico voltado para o turismo ou larga experiência como turista, o que seria o mínimo necessário.
Possibilidades
Se por um lado o cenário parece desanimador, por outro, ele abre um enorme leque de oportunidades para quem quer e sabe investir e negociar. Sem ignorar uma boa pesquisa de mercado, evidentemente. Há muitas atividades ainda não exploradas, cuja viabilidade poderia ser avaliada com carinho e com a mente aberta para um mercado mais amplo, considerando como atrair clientes da região e, até mais, de um raio expandido de – digamos – 100 km. Com isso seriam alcançadas várias cidades muito procuradas por turistas e, inclusive, duas cidades mineiras: Extrema e Monte Verde.
Não existe RETORNO se não houver INVESTIMENTO
Determinados segmentos estão bem supridos e mais concentrados na região central da cidade, entretanto, não estão necessariamente saturados. O diferencial da concorrência pode ser o atendimento qualificado, a variedade de produtos/serviços ou preços competitivos, quebrando o cartelismo. Ou seja, a maior preocupação deve ser com o PÚBLICO. Os benefícios são consequência. Treinamento de pessoal, parcerias e pesquisa de novos fornecedores fazem parte do caminho para o sucesso, e como bônus podem ter efeito na reeducação cultural necessária.
O profissionalismo é fundamental, e inclui a disposição para fazer o melhor, ainda que com um custo elevado. Um estabelecimento mal localizado, mal estruturado, mal decorado, mal iluminado e com atendimento ruim não dura muito tempo. Os mais antigos estão sendo sufocados pelos que estão chegando.

Além disso, pagar impostos (apesar do abuso do governo federal) não deve ser visto como causa para falências. Aliás, em cidades verdadeiramente turísticas há procedimentos organizados que favorecem os estabelecimentos, as agências de turismo, o COMTUR e as cidades. Em Bonito (MS), por exemplo, é cobrada uma Taxa de Conservação Ambiental (TCA) de cada turista que visita o município; para entrar em qualquer atração (ponto turístico), é necessária a obtenção antecipada de um voucher em uma das agências locais, também pago. Tudo é feito com planejamento e fiscalização. A cidade se preparou para isso.
Para que algo seja organizado é necessário que haja a devida normatização. No caso de cidades, a normatização é aplicada através de leis municipais.
Identidade própria
Apesar do esforço de um pequeno grupo, criado pela Secretaria de Turismo, para indicar uma identidade para Santa Isabel, a sugestão mais aceita – “Cidade do Caipira” –, inspirada em parte pela personagem de histórias em quadrinhos, o Cascão, não vingou. Outras tentativas de vinculação do nome de Maurício de Sousa à cidade onde nasceu também não prosperaram. A cidade não é “a Capital das Bolsas” nem “a Capital das Histórias em Quadrinhos“, como sugerido há anos, e nem chega perto à condição de “Paraíso da Grande São Paulo“, como define seu slogan atual. Seu lema, no entanto, provavelmente definido na concepção de sua bandeira ou brasão, Fides omnia vincit(A fé vence tudo), parece válido. Não percamos a fé!
Santa Isabel está tão distante de suas vizinhas, em termos desenvolvimento, que – à espera de pessoas empreendedoras e ousadas – se mostra fértil para o plantio de novas ideias. A catapulta para impulsioná-las é a divulgação, que em pleno século XXI não pode se restringir a carros de som. Tudo que precisamos é nos adequar ao presente.
Choque de realidade
Para fazer jus à condição de município turístico, são necessárias várias medidas de adequação bem planejadas. A primeira delas é criar ou transformar a cidade em algo digno de provocar o interesse dos turistas em conhecê-la, indo muito além da Zona Leste de São Paulo. Na minha humilde opinião, isso começa com a reurbanização e a educação desde as escolas infantis, públicas e particulares. A pretensão de tornar a cidade turística pede a conscientização geral, para que todos ajam em consonância, com o objetivo de viver em função do turismo, por ele e para ele, especialmente porque é a única vocação que conseguimos identificar. Se não o fizermos, estamos fadados à estagnação.
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